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Supermercado digital Edição 52

 

Reinado de Kindle e Sony, segmento ganha dezenas de lançamentos em feira de tecnologia. Conheça as novidades que vão invadir o mundo

Na última semana do ano passado, o portal de vendas Amazon anunciou, triunfante, que seu leitor eletrônico Kindle, que domina 65% do mercado, bateu todos os recordes de venda no Natal. Não é pouca coisa, para uma maquininha que custa pouco menos que 500 dólares, nos Estados Unidos (no Brasil, cerca de R$ 1,5 mil, com taxas de importação de 70%, por tratar-se de produto eletrônico. Em dezembro de 2009, a juíza Marcelle Ragazzoni Carvalho, da 22ª Vara da Justiça Federal (SP), deferiu petição do advogado Marcel Leonardi, para importar o Kindle sem pagar o imposto de importação, nos termos da lei para importação de livros e manuais impressos). Reflexo do sucesso do Kindle, as vendas de livros digitais da Amazon superaram as de livros físicos pela primeira vez. Campeões de vendas: “Going Rogue” (HarperCollins), de Sarah Palin, ‘The Lost Symbol’ (Double Day),de Dan Brown, e ‘The Help’ (Penguin), de Kathryn Stockett. O portal informou ter realizado entregas em 178 países.

Os gigantes que dominam o mercado, Amazon e Sony, não divulgam suas vendas, provavelmente por projetar uma expansão exponencial no futuro próximo. A consultora Forrester Research, especializada na área de tecnologia, calcula em 2 milhões de unidades as vendas do Kindle, no ano passado, e um volume um pouco menor para os modelos da Sony. Ou seja, já se pode quantificar a demanda em alguns milhões.

Na segunda semana do ano, a Consumer Electronic Show (CES), mostrou sua força. Nada menos que 2500 empresas de tecnologia apresentaram um número recorde de mais de 20 mil novos produtos. Os visitantes se perderam diante de um fantástico desfile de lançamentos, com espaço generoso para e-readers. Foram dezenas de modelos, dotados de recursos e sofisticação, produzidos em várias partes do planeta por empresas de segmentos diversificados, caso da D-Link, especializada na fabricação de roteadores e modens, que apresentou seu modelo batizado, simplesmente, e-Book.

Quem esteve lá (esta reportagem traz um painel das novidades) saiu com a sensação de que, se o leitor eletrônico chegou para ficar, terá atrativos adicionais para seduzir o consumidor. Para citar um detalhe elementar, a tela monocromática de E-Ink, que emoldura Kindle ou Sony, terá de evoluir, e rápido. Para competir e conquistar espaço no bolo já disputadíssimo de mercado, os leitores eletrônicos vão oferecer conteúdo de jornais e revistas, enriquecidos com animação de som, cor e imagem, gráficos interativos. Alguns terão conexão para celular e e-mails. Resumindo, deixará de ser apenas um leitor eletrônico de livros, e terá recursos de tablet (computador com formato de laptop ou prancheta que dispensa mouse, tamanho ligeiramente superior ao smartphone; roda aplicativos de internet e navega na web), netbook ou notebook. A empresa de consultoria Deloitte projeta vendas na casa de “dezenas de milhões de tablets e slates”.

Culminando uma longa espera, interpretada por muitos como mais um bem-sucedido ‘marketing de expectativa’, que fez o planeta especular sobre que segredos estavam sendo perpetrados, Steve Jobs lançou no final de janeiro, bem depois da feira CES, o iPad da Apple, computador tablet com tela de 9,7 polegadas e múltiplas funções, incluindo a de leitor eletrônico. Misturando recursos de notebook, e-reader e telefone inteligente, o equipamento, nas palavras de Jobs, significa “a introdução de um produto verdadeiramente mágico e revolucionário, muito mais intimista do que um laptop e bem mais capaz do que um celular inteligente”. O anúncio da novidade fez subir as ações da empresa, que no fim do ano bateu os recordes de vendas de seus principais gadgets, o iPhone (8,7 milhões) e o MacIntosh (3,3 milhões).

Na grande feira de Las Vegas, vitrine das novidades que o mundo vai conhecer e curtir no restante do ano, os e-readers roubaram a cena. Alguns modelos trazem MP-3, microfone embutido para gravar, visualizador de imagens. Outros possuem teclados, físico ou virtual. Há os de telas duplas. Vários contam com a caneta stylus para anotações na tela sensível ao toque. A autonomia das baterias cresceu, com uso de processadores de baixo consumo, e levou fabricantes a medir a duração em número de páginas. Tipo: “descarrega após 9 mil páginas viradas”. Ou seja, muito mais que as três horas regulamentares das baterias comuns.

Quando a poeira baixou, observadores começaram a duvidar da capacidade do mercado absorver tantos modelos. Em outras palavras, não há demanda para oferta dessa grandeza, e os próximos capítulos poderão se debruçar sobre uma prematura saturação.

Um dos aparelhos, o Skiff, com telão de 11,5 polegadas, tem o apoio do poderoso grupo de comunicação Hearst. A dimensão da tela, bem maior que a do Kindle, recomenda o Skiff para leitura de jornais e revistas. “OK, mas não estamos aqui para salvar a indústria de jornais. O que posso afirmar é que isso até pode acontecer”, admitiu o diretor de marketing da empresa, Kiliaen Van Rensselaer.

Allen Weiner, consultor da Gartner, especializada em tecnologia de ponta, comparou o e-reader a uma commodity, tal o frisson que provocou no público da CES. Mas toda commodity, advertiu Weiner, está sujeita a oscilações, que serão tanto mais frequentes na medida em que a oferta superar a procura.

“Muitos aparelhos bonitos foram exibidos”, declarou Michael Gastenberg, analista da Interpret. “O que eu vejo é que, neste momento, temos empresas demais disputando um mercado pequeno demais. Preço alto, falta de conteúdo e funcionalidade de tarefa única são indícios de que a maioria dessas novidades não vai longe”.

Puxando o raciocínio para o lado do consumidor, há o lado positivo da queda de preços. De acordo com especialistas, quando o e-reader descer para a faixa dos cem dólares, terá todas as condições para reinar no planeta.


1. AMAZON

Kindle International (Kindle Wireless Reading Device) – Tela monocromática de 6 polegadas E-Ink (não ofusca à luz do sol, e lembra papel). Teclado para anotações, que ficam hospedados em arquivo TXT separado. Navega na internet, com limitações. Aceita documentos em PDF, através de leitor nativo, sem zoom. Dispositivo de leitura oral ‘read-to-me’. Arquivo para 1,5 Gb. Aceita MP3 via USB. Duração da bateria: sete dias com wireless ligado; o dobro, se estiver desligado. Dicionário inglês embutido.

Compras no site www.amazon.com, que exige depósito de 100% do imposto de importação (que é de 70%). Após o despacho, o troco será devolvido. Composição do preço final de US$ 585,32: US$ 279 (produto) + US$ 285,34 (taxa de importação) + US$ 20,98 (taxa de entrega).

Os e-books da Amazon funcionam exclusivamente no Kindle, sendo adquiridos apenas pela rede 3G do aparelho, ou em lojas virtuais da Amazon. Não lê em outro aparelho. Qualquer livro do catálogo, a maioria na faixa de US$ 9,99, ou menos (280 mil títulos para o Brasil, quase todos em inglês, incluindo 101 dos 112 maiores best-sellers apontados pelo New York Times e 17 obras de Paulo Coelho), disponível no próprio Kindle, graças à conexão 3G suportada pela rede AT&T. Download rápido, em menos de 1 minuto. Para degustar, leitura de um capítulo, como amostra do conteúdo.

Oferece assinaturas de uma centena de jornais de vários países, inclusive “O Globo” (US$ 9,99 mensais a versão impressa), “Zero Hora” (RS), “Diário Catarinense” (SC) e “Jornal do Commercio” (PE). Capacidade para armazenar até 1,5 mil livros.

Importante: a Amazon oferece o “Kindle for PC”, para quem não tem o e-reader. Na prática, vende qualquer livro de seu catálogo para leitura no próprio computador. A Amazon está desenvolvendo versão para smartphone BlackBerry, da RIM.

Kindle DX – Lançado em novembro passado, com tela de 9,7’. Área de tela 2,5 vezes maior que a do modelo International. Aparelho sem fio inclui leitor para documentos em PDF, memória de 3,3 Gb e capacidade para 3,5 mil livros. Ideal para ler materiais gráficos que exijam mais espaço, jornais e livros. Permite leitura de documentos, dispensando o transporte de papéis soltos. Admite anotações Vendido para o Brasil nos moldes do modelo básico.

2. SONY

Sony Reader Daily Edition – Lançado no final de 2009, seu hardware é próximo ao do Kindle. Tela em E-ink de 7’, teclado virtual com caneta Stylus, wireless (o primeiro modelo Sony com esse recurso). Acesso à internet pela rede 3G. Ao contrário do ­Kindle, aceita qualquer e-book. Recomendado para leitura de jornais e revistas – a Sony faz assinaturas para 25 jornais e negocia com outros. Catálogo próprio de 200 mil títulos, mais 1 milhão em domínio público, digitalizados pelo Google Books.

Novidade: acessa empréstimo de livros em bibliotecas, com prazo de 21 dias para devolução. A operação é triangulada pela Sony, que localiza um acervo público próximo ao do usuário, que poderá tomar emprestado títulos disponíveis. Preço: US$ 399. À venda na Sony e em redes como BestBuy e Wal-Mart, no exterior.

Sony Reader PRS 600 – Tela de 6’, sensível ao toque, caneta Stylus e dicionário (Oxford) embutido. Não tem Wi-Fi. Chamado também de Touch Edition. Preço: US$ 299.

Sony Reader Pocket Edition PRS 300 – Tela de 5”, não sensível ao toque, não wireless, sem Wi-Fi nem slot para cartões de memória. Não anota. Permite acesso a arquivos em PDF ou TXT. Custa US$ 199, o menor preço do mercado. “A intenção é expandir dramaticamente o consumo”, revelou Steve Haber, presidente da Divisão de Leitura Digital da Sony. “O usuário carrega o Pocket Edition no bolso da camisa”. Disponível no e-Bay, Amazon.

3. BARNES&NOBLE

Nook – Primeiro equipamento produzido pela gigante de livrarias, inova com duas telas. A maior, de 6’, E-Ink, exibe o livro. A outra, de 3,5’, sensível ao toque, na área inferior do aparelho, serve para selecionar o título a ser lido. Suporta redes de Wi-Fi nos padrões 802.11 b/g, conexão com rede 3G da AT&T. Memória interna de 2 GB, ampliável via slot microSD. Bateria dura 10 dias, sem conexão com rede sem fio. Saída padrão para fone de ouvido, microfone embutido. Suporta formatos ePUB e eReader para livros, MP3 para áudio, e arquivos JPEG, GIF, PNG e BMP. Catálogo traz acervo da B&N: mais de 1 milhão de títulos, mais da metade em domínio público. Assina jornais e revistas dos EUA e Europa. Permite emprestar livros, pelo mecanismo ‘Lend Me’. Roda no sistema operacional Android, do Google. Preço: US$ 259. Não cobra por download adicional.

4. APPLE

iPad – Prancheta eletrônica maior que um smartphone e menor que um laptop, traz tela sensível ao toque de 9,7’, espessura de 1,3 cm, 680g de peso. Navega na internet, checa e-mails, compartilha imagens, toca música, tem leitor eletrônico. É o maior lançamento da marca em três anos, desde o iPhone. Acesso 3G terá valor adicional de US$ 130; AT&T transmitirá dados à taxa mensal de US$ 14,99 por 250 MB, ou US$ 29 para acesso ilimitado. Conexão WiFi e Bluetooth. Aplicativos do iPhone funcionam no iPad. Versão de 16 gigabytes custará US$ 499; a de 32 GB, US$ 599; a de 64 GB, US$ 699. À venda, nos EUA, em final de março (modelos com Wi-Fi) ou abril (com 3G).

5. PLASTIC LOGIC (empresa da Intel e OAK Investment)

Que Pro-Reader – Lançamento em abril, para uso corporativo, focado em funções de agenda, documentos e sincronização com BlackBerry. Em dois modelos inteiramente de plástico, inclusive tela inquebrável. Modelo básico com tela de 8,5’; o outro é maior, 11’. Anota. Tem Wi-Fi e BlueTooth. Permite ler e-mails. Tem conexão à rede 3G via AT&T. Sem conexão para celular. Ultrafino. Compatível com MS Office. Aceita transferência e leitura de documentos em qualquer formato (PowerPoint, Excel, PDF, Word). Fechou convênio com jornais para assinatura. Modelo Que básico, com memória de 4 GB, custará US$ 649; o maior, tela de 11’, memória de 8 GB: US$ 799.

6. SAMSUNG

E6 (tela de 6’) e E101 (10’) – Lançamento no primeiro semestre, chega para enfrentar os modelos da Sony. Tela sensível ao toque da caneta Stylus, com teclado. Suporta redes Wi-Fi nos padrões 802.11 B/G, além de BlueTooth 2.0. Comporta formatos ePUB, PDF e TXT. Permite acesso gratuito ao acervo escaneado pelo Google Books. Modelo E6 vai custar US$ 399; E101 sairá por US$ 699.

7. ENTOURAGE SYSTEMS

eDGe Dualbook – Lançamento em 2010. Trata-se de um slate com e-reader, compatível com Windows, Mac e Linux. Soma funções de netbook, notepad, gravador (som e imagem). Inova com duas telas grandes. A principal, de 9,7’, em e-Paper, funciona para ler livros, fazer diagramas e redigir notas com caneta Stylus. A tela da direita é um LCD de 10,1’, usa também a Stylus e navega pela web, além de visualizar vídeos e imagens. Com Wi-Fi integrado, aceita livros em PDF e ePUB, rodando o sistema operacional Android, do Google. Possui câmera integrada de 1,3 MP, microfone com redução de ruídos embutido, capacidade de gravar áudio a até 9m de distância. Catálogo anunciado de 200 mil títulos, oferecidos por McGrawHill, John Wiley&Sons, Oxford University Press. Permite acesso a 1 milhão de livros de domínio público digitalizados pelo Google Books. Preço previsto: US$ 490.

8. MICROSOFT

HP Slate – Apresentado no CES Las Vegas pelo chefão Steve Ballmer, é um tablet que dispensa teclado físico. Lançamento até final do ano. Tela colorida (entre 10’ e 12’), equipamento fabricado pela Hewlett-Packard que, naturalmente, roda o ­Windows 7. Navega na internet. “É mais potente que um telefone e quase tão potente quanto um PC”, comparou Ballmer. “Perfeito para leitura, navegação, entretenimento”, aduziu, usando o termo “Slate Computer” para definir a nova geração de computadores de mão, com tecnologia multitoque.

9. ASUS

DR-950 – Tela monocromática de 9’, uma das únicas que não vêm em E-Ink, mas em papel eletrônico SiPix Microcup, para consumo eficiente de energia. Espessura de 0,89 cm. Armazenamento de 2 GB a 4 GB, entrada para cartão SD, Wi-Fi, saída para fone de ouvido de 3,5 mm e porta USB. Preço e lançamento não foram divulgados.

10. SKIFF

Skiff Reader – Chega com apoio do grupo Hearst, que edita jornais e revistas na Costa Oeste, entre eles o ‘San Francisco Chronicle’. Tela em e-paper, de 11,5’, a maior do mercado, com resolução 1600x1200, sensível ao toque. Tem Wi-Fi; usa a rede Sprint 3G para conexão. Capacidade para animações até 12 fps (frames per second). Executivos da Hearst revelaram que o objetivo é construir nova plataforma para as publicações da rede, sem contar a venda de equipamentos de TI. “Quem sabe possamos, num futuro próximo, vender todo tipo de equipamentos eletrônicos e que não serão de nossa fabricação”, disse o diretor de Marketing, Kiliaen Van Rensselaer. À venda em mil lojas da Skiff. Sem data de lançamento. Sem preço estimado.

11. SPRING DESIGN

Alex – Assemelhado ao Nook. Já lançado nos EUA. Tem duas telas. A principal, 6’, é montada em E-Ink, para leitura; a outra, de 3,5’, é um LCD que roda o sistema Android, do Google. Com Wi-Fi e acesso à 3G (terceira geração da telefonia móvel). Equipado com áudio e video-player. Sem conexão para celular. Indicado para profissionais que atuam em educação e entretenimento, enriquece a leitura com imagens, vídeos e notas inseridas através de programas do tipo “Web grabs”.

“Estamos iniciando uma fase inteiramente nova em e-books”, disse a CEO da Spring Design, Priscilla Lu. “Temos potencial para desenvolver uma indústria inteiramente nova em multimídia. Queremos trazer vida aos livros com áudio, vídeo e anotações, o que dará aos usuários instrumentos na busca de formatos para enriquecer a experiência de leitura”, acrescentou. Preço estimado: US$ 359.

12. i-RIVER

i-River Story 2 GB – Tela em E-Ink de 6’, aceita E-Pub e PDF. Aceita programas variados, como Word, Excel, PowerPoint, TXT, DOC. Bateria para 7 mil viradas de páginas. Com teclado para anotações, agenda, textos breves. Tem MP3. Fone de ouvido e microfone embutidos, para gravação de voz. Memória de 2 GB, suficiente para 1,5 mil livros, isso sem recorrer ao cartão SD slot. Sem previsão de data de lançamento e preço.

13. ALURATEK

Aluratek Libre Pro – Tela de LCD monocromático, de 5’. Equipado com cartão 2GB SD (capacidade até 32 GB). Aceita formatos BMP, JPG, GIF, Adobe DRM, ePUB, PDF, TXT, Mobi, PRC e RTF. Bateria para mais de 24h de uso contínuo; desligamento automático após 2 minutos sem uso. Catálogo com 1 milhão de títulos digitalizados pelo Google Books, mais os do Gutenberg.org. À venda nas lojas da rede e em varejos de TI ou do generalista Walmart. Preço estimado: US$ 179. Sem data de lançamento.

14. BOOKEEN
Cybook Orizon – Produto francês a ser lançado no segundo semestre. Tela em E-Ink de 6’, sensível ao toque, espessura de 0,29’, pesa 226 g. Memória de 2 GB, conta com Wi-Fi e Blue­Tooth. Aceita formatos E-Pub, PDF, HTML, JPG, GIF, PNG. Preço estimado: US$ 250.

15. DMC Worldwide
Copia Ocean – 3 versões com telas em E-Ink, nos tamanhos 6’ e 9’, sensíveis ao toque, Wi-Fi eficiente (802.11 B/G), microfone embutido, memória de 4 GB, slot para cartão Micro SD. Um dos modelos com 3G. Catálogo disponível em www.thecopia.com/press. À venda a partir de abril.
Copia Tidal – Também 3 versões assemelhadas, com telas de 6’. A diferença é o formato ligeiramente curvo e apresentação em cores. Um modelo tem teclado configurado. Preços estimados: entre US$ 199 e US$ 299.

16. Ray Kurzweil
Blio – Não é tecnicamente um e-reader, lembrando antes um software de e-book que mostra livros coloridos, possibilitando interagir com elementos variados, como testes e animações. Sua proposta é utilizar o poder dos tablets e smartphones (3G) para proporcionar, ao livro digital, interação de texto e vídeo, áudio e conteúdo da Web. Ray Kurzweil, pioneiro na tecnologia de leitura digital, uma das feras da indústria de computação, não enxerga muito futuro para um gadget que se limite a simples leitores.

Deve disputar mercado na área de educação e, talvez, entretenimento.

17. GATO SABIDO

Cool-Er – Único leitor vendido no Brasil por empresa nacional, criada pelo economista carioca Carlos Eduardo Ernanny, que representa a marca britânica. Tela em E-Ink de 6’. Bem leve, pesa 178g. Roda no sistema operacional Linux, mas é compatível com Windows e Mac. Não tem conexão sem fio: transfere livros via cabo USB. Aceita vários formatos (PDF, TXT, HTML, JPG). Pode armazenar 1 GB, ampliável (com cartão SD) para 4 GB. Conta com processador Samsung e sua bateria gira 8 mil páginas. Catálogo pequeno, em torno de 400 livros, em ampliação. Preço: R$ 750, mais frete.

18. MIX TECNOLOGIA

Mix Leitor D – Primeiro leitor eletrônico com tecnologia brasileira. Desenvolvida por empresa de Pernambuco, tem lançamento previsto para junho em dois modelos, básico e Premium, ambos com tela em E-Ink 6’.

Luz interna para leitura à noite, rotação de conteúdo para visualização nos modelos retrato e paisagem. Conexão 3G, Wi-Fi, BlueTooth, acesso à internet, teclado alfa-numérico, memória 1 GB. Bateria admite acima de 8 mil trocas de página. Toca MP3.


MIX-LEITOR-D: DE PERNAMBUCO PARA O MUNDO

O Kindle International é a escolha mais óbvia, por dominar o mercado mundial e estar à venda para o Brasil desde outubro passado, através de pedido à livraria virtual da Amazon (www.amazon.com). A partir daí, começam as limitações.

O valor da taxa de importação, de US$ 285,34, é superior ao do próprio produto, fixado em US$ 279. Com os US$ 20,98 para despacho e entrega, a despesa ultrapassa os R$ 1 mil. Uma alternativa é recorrer à Justiça Federal, pleiteando isenção do imposto.

Para quem domina inglês, um catálogo de 340 mil títulos está disponível na própria Amazon. Em língua portuguesa, quase nada. Apenas 17 obras de Paulo Coelho (Planeta), como ‘O Alquimista’ (vendeu perto de 10 mil unidades no ano passado, a US$ 8); o último lançamento de Rubem Fonseca (Agir), “O Seminarista”; e dois títulos de Machado de Assis, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”. E ponto. O português só aparece, além daí, com a assinatura de jornais como “O Globo” (RJ), “Zero Hora” (RS), “Jornal do Commercio” (PE) e “Diário Catarinense” (SC). Para assinar o jornal, o sistema é igual ao dos e-books, graças à conexão 3G que liga com a loja Amazon. O download é rápido.

Com o sugestivo nome de Gato Sabido, estabelecida no Rio (www.gatosabido.com.br), a autointitulada primeira e-book­store brasileira comercializa o Cool-er.
Trata-se de um equipamento inglês. Ao contrário do Kindle, expõe algumas centenas de títulos em português. Firmou contrato com a Zahar e a Lumen Juris, e busca novas parcerias com editoras nacionais. Na seção “Sou o Autor”, oferece títulos liberados por escritores. O que vende mais, segundo a Gato Sabido, é “O Zen na Arte de Apertar Baseados”, de Nelson Motta. Preço: R$ 1. Mas o trunfo mais interessante de seu repertório está no 1 milhão de livros digitalizados pelo Google Books, afora 400 mil da própria loja do Cool-er. Preço do e-reader: R$ 750.

No Nordeste, amadurece uma terceira via. Baseada em Recife, a Mix Tecnologia desenvolve há alguns anos, em associação com a Carpe Diem Edições (produz a Fliporto, feira anual no balneário de Porto de Galinhas), o Mix Leitor-d, com tela de 6 polegadas e preço imaginado entre R$ 650 (modelo básico) e R$ 1mil (modelo Premium), quando chegar ao mercado, no meio do ano. De recursos assemelhados aos concorrentes, como tela de E-Ink (6’), conexão 3G, Wi-Fi, acesso à internet, teclado alfanumérico para anotações e buscas, destaca em seu site (www.leitord.com.br) tratar-se de “tecnologia de ­software 100% nacional e patente requerida no segmento de e-readers no Brasil”. O catálogo de títulos está também em desenvolvimento, com a negociação de contratos com editoras brasileiras. O diretor comercial da Mix, Murilo Marinho, esclarece que o foco do produto será o setor educacional, como “ferramenta educacional integrada”.
Exemplifica citando a tecla InterQuiz (IQ):

“Você começa a ler um livro ou jornal no equipamento, escolhe um capítulo ou matéria, aperta a tecla IQ. Na tela, vai aparecer a indicação “tenho xis questões sobre esse assunto”. Como faz isso? O software identifica o assunto, pesquisa na internet e traz as perguntas para o usuário”.

Entre editoras e livrarias, a produção de livros digitais caminha a passos mais rápidos. A Ediouro abriu a www.lojasingular.com.br exclusivamente para vender o produto – segundo o diretor Newton Neto, saem entre 10 e 15 unidades por dia. O objetivo a curto prazo é lançar títulos nas duas versões. A rede Saraiva também se prepara para ter sua e-book store, ainda no primeiro semestre.



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