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Sobre as Primaveras Edição 50

 

Vem aí a 15ª Primavera dos Livros do Rio. Oportunidade para falar de bibliodiversidade e de acesso ao livro
Por Cristina Fernandes Warth

Quando no início da estação da Primavera, no ano de 2001, um pequeno grupo de editores se reuniu com o propósito de organizar um novo modelo de salão cultural para promover o contato com o leitor, a LIBRE (Liga Brasileira de Editoras) ainda não existia. Mas, sem saber, desencadeávamos no Brasil um movimento semelhante ao de muitos editores independentes em diferentes países, que criavam não apenas salões de livros, mas estratégias para fazer frente ao processo de internacionalização e concentração do setor.

No ano seguinte, com o efetivo surgimento da LIBRE, criávamos um fórum de discussão sobre as políticas públicas para o setor e a defesa da bibliodiversidade a partir da ótica das pequenas e médias editoras nacionais, mas isso é discussão para um outro momento.

Voltando à Primavera, no caso, o evento que criamos como salão do livro denominado Primavera dos Livros, se comparado com as grandes feiras, propõe aos leitores um encontro democrático, tranquilo e amoroso com o universo do livro e da leitura. Durante quatro dias, sempre em locais de fácil acesso no Rio de Janeiro e em São Paulo, com entrada franca, com os livros dispostos em estandes elegantes e discretos, em que muitos editores conversam diretamente com os visitantes sobre os seus catálogos, o livro é o centro das atenções. Sem o néon, sem o destaque forjado pelo poder econômico de uma empresa editora ­sobre a outra.

Oferecemos ao leitor a possibilidade da busca por um autor ou por um tema, deixando que ele exercite a fina habilidade de ser ou tornar-se leitor, que começa com o encontro do e com o livro.

Nos megaeventos, quando constatamos que a leitura de uma orelha, o destaque de uma recomendação na quarta capa de um livro ou o charme de uma ilustração são atropelados pela perseguição do público a um personagem de fama efêmera da tv, duvidamos da possibilidade dessas ações como espaços de formação de leitores.

Sabemos que o livro tem um status especial – sem deixar de ser uma mercadoria, também é um bem cultural – e que a promoção do hábito da leitura exige ações que precisam ser compartilhadas entre os empresários do setor, o governo e a sociedade.

Por conta disso, durante a Primavera dos Livros, parte dos debates é dedicada às discussões com os editores. Em novembro, durante a edição carioca, teremos o primeiro encontro de representantes de redes de editores independentes latino-americanos, oportunidade de compartilharmos experiências sobre os problemas de editar e distribuir no Brasil, Argentina, Chile, México, Peru, Bolívia, Uruguai.

Não bastasse tudo isso, as Primaveras estão emblematicamente instaladas numa grande biblioteca popular em São Paulo e no Jardim do Museu da República que na Primavera, quase verão do Rio, acolherá em novembro leitores jovens e maduros e futuros leitores, aos quais, pela existência de tão poucas livrarias e bibliotecas, tantos bons livros ­deixam de ser oferecidos.

Falar de bibliodiversidade e de acesso ao livro, com consequente direito à cultura e à informação, é discutir formas de dar visibilidade e fortalecer a produção das pequenas e médias editoras nacionais que se apresentam nas Primaveras, com um catálogo coletivo de mais de 10 mil títulos. Produção editorial que só se efetiva quando encontra o público leitor. E discutir a valorização social do livro e da leitura, logicamente, é falar de cidadania e inclusão. É disso que tratam todas as edições das Primaveras, que a LIBRE espera poder multiplicar pelo País.


Cristina Fernandes Warth
Presidente da Libre (Liga Brasileira de Editoras) e diretora da Pallas Editora



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