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Notas Edição 50

 

Notas da edição

De volta para o futuro
No “Download Day”, Hertha Müller mais uma vez foi campeã. Sagrada com o Nobel de Literatura, seu premiado “Atemschaukel” (Ed. Carl ­Hanser Verlag) foi o mais baixado na Feira de Frankfurt, que, por iniciativa da Associação dos Livreiros Alemães, permitiu aos visitantes, no dia 15 de outubro, download de graça de qualquer lançamento.

No dia 10 de dezembro, Müller irá com os outros laureados à entrega do Prêmio Nobel, quando receberá um cheque de 980 mil euros (US$ 1,4 milhão, ou R$ 2,4 milhões). Nascida na Romênia, inspira seus romances na atmosfera paranoica da ditadura comunista. Na vida real, emigrou para a Alemanha, em 1987, depois que se recusou a colaborar com a polícia secreta de Nicolae Ceaucescu. Tem um livro editado no Brasil (“O Compromisso”, Globo, tradução de Lya Luft). A editora deve antecipar o lançamento do Nobel para o início de 2010.


O blog circula. A autora, não
O recém-lançado “De Cuba, Com Carinho” (Contexto), coletânea de posts que a blogueira Yoani Sanchez afixou em Generacion Y, já está na lista dos mais vendidos. Especialmente editado para o Brasil, narra o difícil cotidiano em Havana, onde Yoani vive com o marido e o filho. O governo de Raúl Castro não autoriza sua viagem, embora ela tenha sido apontada a 31ª pessoa mais influente do mundo, pela revista “Time” e seu blog considerado o melhor do planeta, pelo concurso The Borbs, ambos os reconhecimentos em 2008.


CBL para o mundo
Abrindo canais de comunicação com o exterior, a CBL realizou dois encontros com jornalistas estrangeiros. O primeiro foi na sede, em São Paulo, oportunidade em que foi feita ampla exposição sobre o mercado editorial brasileiro, pela diretoria da entidade, presente também o coordenador do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), José Castilho Neto. A presidente Rosely Boschini, da CBL, entre outros temas, ressaltou a parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com vistas à comercialização mais intensa de títulos nacionais.

O resultado surgiu já na Feira de Frankfurt, em outubro, quando os negócios dos direitos autorais, no balanço dos 50 expositores reunidos pela CBL em estande coletivo, alcançaram US$ 750 mil. As vendas foram feitas para 18 países, entre eles EUA, França, Inglaterra e Alemanha. Na feira alemã aconteceu o segundo encontro com os jornalistas estrangeiros, recebidos com coquetel no estande. A atuação da CBL foi elogiada por todos os expositores, que atribuíram, em pesquisa informal, a nota 8,54.

Visitaram a CBL jornalistas de vários países. Michael Roesler-Graichen (revista ‘Börsenblatt’, Frankfurt), Mukund Padmanabhan (jornal ‘The Hindu’, o maior jornal em língua inglesa da India); Ren Jiangzhe (‘China Book Business Report’, Pequim); Lynn Andriani (‘Publishers Weekly’, Nova York,  EUA); Edward Nawotka (“Publishing Perspectives”, Houston, EUA); Claude Combet (“Livres Hebdo”, Paris, França).


A culpa é da BIC
A extinção dos “H” floreados, que identificavam até se o redator do manuscrito era homem ou mulher. A perda da coordenação mão-olho. O colapso da escrita como artesanato de tons artísticos.

Em tom melancólico, o escritor italiano Umberto Eco publicou artigo no jornal inglês “The Guar­dian” (21/09), intitulado “A arte perdida da caligrafia” (“The lost art of handwriting”. Apontou um inesperado vilão para o crime, nada menos que a caneta Bic.

“A crise toda começou com o surgimento da caneta esferográfica”, diz o texto. “Após a Bic, a escrita perdeu alma, estilo ou personalidade.”

O mote do artigo surgiu de uma pesquisa em sua terra, a qual revelava que metade dos jovens italianos não consegue escrever à mão, de forma contínua. Entrevistada, uma professora confessou que, além dessa incapacidade, os erros de ortografia são preocupantes.

“Minha geração foi ensinada a desenvolver uma boa caligrafia, e gastamos os primeiros meses da escola fundamental aprendendo a como desenhar as curvas de cada letra. Anos depois, esse tipo de exercício foi taxado de estúpido e repressivo, mas aprendemos a ter o pulso firme, à medida em que usávamos nossos lápis para formar letras redondas ou gordas, por um lado, e finamente desenhadas, por outro”.

Justifica: “Escrever à mão nos obriga a compor uma frase mentalmente antes de por no papel. Obrigado à resistência do papel e da caneta, que leva a pessoa a se concentrar e pensar. Muitos autores que utilizam computador preferem rabiscar frases no papel, de tal modo que possam desenvolver o texto melhor”.

Eco aproveita para fazer analogias: “As pessoas não viajam mais a cavalo, mas muitas frequentam aulas de hipismo. Barcos a motor existem, mas muita gente se devota à vela, como faziam os Fenícios, 3.000 anos atrás. Temos túneis e trens, mas há quem prefira andar ou escalar os Alpes. Temos colecionadores de selos, em plena era do e-mail”.

Seria bom, recomenda finalmente o escritor, que os pais matriculassem os filhos em escolas de caligrafia. Isso lhes daria não apenas base para conhecer o belo, mas muito controle psicomotor, aconselha. E pede: “Procure uma escola de caligrafia na internet. Quem sabe, para aqueles que tenham mão firme, mas não um trabalho seguro, aprender caligrafia possa ser um bom negócio”.



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