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Notas Ediçao 49

 

Notas da edição

Saramago briga com o Criador
Frankfurt vai tremer durante a feira. No lançamento do novo romance de José Saramago, intitulado ‘Caim’, o escritor português redime o assassino do próprio irmão, responsabilizando Deus pela ‘autoria intelectual’ do delito. “Deus não é confiável, provocou Saramago à agência EFE, enquanto gozava férias de verão em uma ilha espanhola. Que diabo de Deus é esse que, para enaltecer Abel, despreza Caim?” O próprio autor irá à Feira do Livro de Frankfurt para o lançamento. A previsão de chegada de ‘Caim’, ao Brasil, está entre o final do ano e março de 2010.

Campanha e certificação
Duas notícias importantes sobre meio ambiente. A cadeia produtiva do livro e do papel decidiram iniciar campanha para combater a percepção de que o consumo de papel significa destruir florestas. O mote será a celulose nacional, matéria-prima dos livros, jornais e cadernos, nada tendo a ver, assim, com desmatamento. O movimento tem no comando o presidente da Abigraf, Alfried Plöger. A outra notícia refere-se à certificação concedida à Ibema (Companhia Brasileira de Papel), do importante selo FSC (Forest Stewardship Council, que significa Conselho de Manejo Florestal). “A certificação garante a rastreabilidade da matéria-prima fibrosa utilizada no processo de fabricação”, diz o presidente Rui Gerson Brandt, revelando que as fábricas de Turvo e Ibema, ambas no Paraná, receberam o selo, que facilita o acesso aos mercados internacionais, preocupados com sustentabilidade. “O selo FSC é uma exigência mundial, sobretudo nos mercados europeu e americano, focos principais das exportações da Ibema”, afirma Brandt.

Frankfurt
Mais uma vez, o Brasil vai a Frankfurt, onde, de 14 a 18 de outubro, será realizada a maior feira de livros do mundo. Organizado pela Câmara Brasileira do Livro e pela ApexBrasil, nosso espaço de expositores terá 120m2. Atingindo a edição nº 61, o evento vai homenagear a China, que sucede a Turquia como país-tema. No ano que vem, a Argentina ocupará o lugar de honra. Maior acontecimento do mercado editorial, durante uma semana Frankfurt se transforma em capital literária do planeta. Essa é sua primazia, muito mais que o público visitante. No ano passado, foi vista por 300 mil pessoas, que tiveram à disposição nada menos que 7,3 mil expositores, dos quais 3,3 mil da própria Alemanha, e 4 mil de um contingente de 117 nações. O estande brasileiro terá, como apoiadores institucionais, a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), a Imprensa Oficial de São Paulo e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

1 milhão de livros vendidos
Sucesso atrai sucesso. Uma espécie de transmissão em cadeia acontece na garimpagem dos títulos que, da noite para o dia, se transformam em campeões de vendas. ‘A Cabana’, romance do canadense William P. Young, rompeu em agosto a marca do milhão de exemplares vendidos no Brasil, um ano após ser lançado. A média diária chega a incríveis 2,8 mil vendidos por dia! A decisão, na verdade mais uma sugestão, partiu do autor de outro êxito, James Hunter, que escreveu ‘O Monge e o Executivo’. De passagem por São Paulo, jantou com seus editores brasileiros, os irmãos Pereira, da Sextante. Um deles, até por cortesia, perguntou a Hunter que livro estava lendo.“Estou com um romance bem interessante, ‘A Cabana’. Acho que vale a pena vocês darem uma olhada”, disse Hunter. A Sextante olhou, apostou e agora desfruta um de seus maiores êxitos em 11 anos de batalha. O romance segue frequentando os dez mais, e nessa marcha deve superar os 1,6 milhão vendidos pelo ‘Código Da Vinci’, de Dan Brown. Claro que, por enquanto, seu desempenho não ameaça a notável trajetória do ‘Monge’, que explodiu as expectativas mais otimistas, com 3 milhões de exemplares. Com incrível olho clínico, virtude também valorizada na outra editora do grupo, a Intrínseca, os irmãos Marcos e Tomaz Pereira, netos do fundador da José Olympio, instalaram a Sextante no bloco das maiores, fazendo companhia e incomodando gigantes como Record, Ediouro, Cia. das Letras, Objetiva e Rocco. A ousadia parece ser uma das marcas, e, apesar do catálogo reduzido de 500 títulos – a Record oferece nada menos do que 8 mil – a Sextante nunca sai com menos de 10 mil exemplares no lançamento, contra a média do mercado de 3 mil.

Errata
Na edição anterior de Panorama Editorial, nº 48 (Junho/julho de 2009), a foto da página 27, em que aparece Miriam Beserra Xavier Cortez, assessora jurídica da Cortez Editora e Livraria, foi identificada como Ivana Jinkings. Panorama Editorial pede desculpas.

A vez do e-book
O e-book está chegando. Não com a voracidade e a rapidez que quase provocou colapso na indústria fonográfica, mas toda cautela é recomendada. Em outubro, os três grupos de trabalho organizados pela CBL vão apresentar um relatório que traça o perfil desse mercado nascente, o arcabouço legal que se estabelecerá em torno desse universo virtual, e que modelos de negócios melhor vão se ajustar à nova tecnologia. As vendas de livros eletrônicos, nos Estados Unidos, atingiram US$ 113 milhões em 2008, quase o dobro do obtido em 2007, no valor de US$ 67 milhões. Assim mesmo, muito pouco, quase nada para um mercado potencial medido em US$ 25 bilhões. E aqui? O faturamento do setor, em 2008, foi de R$ 3,3 bilhões, segundo apurou a pesquisa Fipe. Uma estimativa moderada estipula uma participação do e-book da ordem de 0,5%, algo como R$ 16 milhões. Especialistas são unânimes em prever um futuro digital para o livro, só divergem no prazo dessa revolução. O mercado oferece diversas plataformas, mas todas elas enfrentam limitações, casos do Kindle, Sony, Irex iLiad book e Feedbooks. A Amazon, que opera o Kindle, planeja entrar em escala de produção, no Brasil, em 2010.



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