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A vez do leitor do futuro Edição 49

 

O ano de 2008 marcou um recorde de lançamentos. Foram mais de 51?mil, e os editores apostaram nos jovens. A literatura juvenil teve crescimento de 41% de títulos, sobre 2007

Crianças e adolescentes, que no futuro estarão na linha de frente da sociedade, estão lendo mais. Essa é uma boa notícia. As editoras, atentas ao interesse desse amplo segmento, ampliaram a oferta de títulos e também a quantidade de exemplares.

Há também o outro lado, o da notícia que pode não ser tão boa assim.

É irrisória a participação desse leitor muito jovem na escolha espontânea de um livro para ler. Quase sempre, são os professores que fazem a indicação, como tarefa.

A revelação aparece na pesquisa da Fipe, que elaborou uma tabela cruzando os títulos editados por temas. Pode-se perceber, pelos volumes de títulos editados e na própria quantidade de exemplares, uma evolução segura e determinada.

O item ‘Literatura Infantil’ foi contemplado com 3.891 lançamentos no ano passado, contra 3.491 no ano anterior, cravando uma expansão de 14%.

Em ‘Literatura Juvenil’, o salto foi ainda mais exuberante, transformando o nicho no campeão absoluto de crescimento no período. Saiu de 1.711 títulos em 2007, para 2.428 em 2008, acima dos 40%. Os que mais se aproximaram em desempenho, foram ‘Artes, Lazer e Desportos’, com 32%, e livros de ‘Ciências Sociais’, com 31,71%. De qualquer forma, bem abaixo dos 41,88% obtidos pelos lançamentos para adolescentes, marca que é valorizada pelo recorde histórico de lançamentos no ano, alcançando 51.129 títulos editados.

Apenas a título de comparação, em um mercado de múltiplos segmentos e variações de tendência, os livros de ‘Literatura Adulta’ fizeram trajetória inversa. O setor caiu de 5.574 lançamentos em 2007 para 4.455 no ano que passou, registrando queda de 20%.

Quando se examina a produção de livros infantis e juvenis, o percentual é menor, mas de respeito.  Foram 15,4 milhões de unidades produzidas, crescimento de 4,95% sobre os 14,7 milhões de 2007.

No degrau etário imediatamente superior, mais quantidade e mais qualidade. A evolução foi de 8,5 milhões para 9,3?milhões em 2008, taxa de incremento de 9,26%.

Se os dois patamares de leitores jovens foram contemplados com mais lançamentos e mais exemplares, o desempenho das editoras, neste último item, foi negativo. Em 2007, foram colocados no mercado 351 milhões de unidades, volume que recuou para 340 milhões no ano passado, variação negativa de 3,17%.

A presidente da CBL, Rosely Boschini, comentou o assunto, em artigo divulgado no site da entidade. Ao argumentar que a indústria vem fazendo sua parte para cativar esse tipo de leitor, observa que ‘ajudar as crianças e os jovens a descobrir essa verdade é uma missão importante, que cada cidadão deve abraçar com entusiasmo”.

Ao desenvolver o raciocínio, Rosely recorreu a outra pesquisa, ‘Retratos de Leitura do Brasil’, que em 2007 apurou a existência de considerável massa de leitores entre 5 e 17 anos. São 39% dos 95,6 milhões de leitores existentes no País. A média de livros lidos por ano pela garotada é alta, comparada com a média geral. Assim, os que tem até 10 anos de idade lêem 6,9 títulos ao longo do ano. O índice sobe para 8,5 na faixa que vai dos 11 aos 13 anos; depois cai no contingente de 14 a 17, para 6,6 livros-ano.

“Infelizmente, porém, a maior parte das leituras é feita por exigência da escola, escreveu a presidente da CBL. Somente 0,9 livro é escolhido por iniciativa própria entre os leitores de até 10 anos, subindo para 1,4 na faixa dos 11 aos 13 anos, e para 1,6 entre os jovens de 14 a 17 anos”.

A coordenadora da pesquisa da Fipe, economista Leda Paulani, tem opinião um pouco diferente. “O que importa é que as crianças, pelo menos, estão tendo acesso ao livro, independentemente de quem as estimule”.

Nesse aspecto, que também foi analisado no ‘Retratos de Leitura’, os maiores incentivadores para a formação de jovens leitores vem basicamente de duas fontes, a escola, naturalmente, e a família.
Dentro de casa, as mães aparecem com claro destaque. Mais de 70% dos leitores entre 5 e 10 anos de idade não hesitaram em apontar suas mães como as primeiras guias.

As editoras se preocupam em formar novos leitores, e os números da pesquisa da Fipe demonstram isso. Contudo, o processo leva tempo e depende de ‘múltiplos fatores’, como define Alfredo Weiszflog, membro do Conselho de Fundadores da CBL.

“A base de tudo, claro, é a educação. Incentivar a leitura na escola, de forma séria, não apenas como uma pincelada, é o fator número 1. O fator número 2 é incentivar o sistema de bibliotecas. Agora, tem de prover as bibliotecas públicas com livros em razoável quantidade e com atualização constante. Esse sistema funciona muito bem nos países desenvolvidos. Aqui, ou são poucas as bibliotecas públicas, ou elas são mal providas.

Qualquer biblioteca nos Estados Unidos tem uma vitrine na entrada onde estão expostos os livros mais recentes à disposição do consultante. Aqui, muitas vezes os livros vem de doações, são antigos, não oferecem interesse. E mesmo quando são novos, não oferecem interesse para a comunidade. É fundamental uma biblioteca que dê suporte ao estudo, uma biblioteca que qualquer pessoa possa usar como ferramenta para a sua vida, ou até como uma forma de lazer”.

E Weiszflog conclui: “O choque de leitura em que o governo vem se empenhando, montando bibliotecas em todos os municípios (NdaR: no site do Ministério da Cultura, ainda existem 600 municípios em todo o País sem bibliotecas) é um esforço. Mas ainda é um esforço titmido. Claro que é tímido. É preciso mais esforço, é preciso mais empenho de todos”.



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