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Dois pesos na balança Ediçao 49

 

O mercado divide o peso da receita e das vendas de livros com o Governo, comprador dos livros didáticos e provedor de bibliotecas públicas

Mas como as decisões do Governo, leia-se Ministério da Educação, fizeram a balança pender mais para um lado ou para outro?

No ano passado, o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), comprador oficial junto às editoras, responsável por significativa porção do faturamento delas, alterou fortemente o mix de compras.

Reduziu pela metade (variação negativa de 45,36%) a quantidade de livros para o ensino fundamental, e triplicou as compras para atender alunos do ensino médio (242%). O preço médio dos volumes do ensino médio, sem dúvida, é superior ao do fundamental. Este, por sua vez, conta com uma massa muito maior de crianças matriculadas. É por essa razão que, lembrando os citados 51 mil novos títulos de 2008, o nicho de ‘Didáticos’ acusou crescimento, de 16,8 mil títulos para 18 mil, variação de 7,43%.

Afora isso, o FNDE elevou em 43,5% as compras para o PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), tendo arrematado nada menos do que 9,4 milhões de exemplares. Por fim, inaugurou a distribuição de livros para os inscritos no PNLA (Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos), num total de 1,6 milhão de exemplares.

Tantas alterações e novidades explicam, no caso dos livros didáticos, os 19,61% adicionais no faturamento (de R$ 726 milhões para R$ 869 milhões), apesar da redução de 5,6% na quantidade final (de 128,9 milhões de livros para 121,7 milhões). Como define o relatório da Fipe, “os valores apresentados pelas variações obedecem às determinações e diretrizes estratégicas da política de governo, não se regendo, portanto, pelos movimentos do mercado”. Aí fica apontada a mudança do mix de compras, vale repetir, o preço médio do livro do ensino médio supera o do ensino fundamental.

Quando se examinam os números do mercado, sem aquelas compras do MEC, salta aos olhos a performance das editoras. Em termos de receita, registrou-se evolução de 6,56% nominais, porcentagem que cai para 1,91% em termos reais. Os maiores ganhos, entre os quatro setores estudados, foram para religiosos (17,59%) e CTP/científicos, técnicos e profissionais (13,54%). Quando se analisa os preços médios do mercado, a variação favorável é residual, de 0,88%. Pelos cálculos da Fipe, o preço médio de um livro, em 2007, era de R$ 11,42, valor que subiu apenas dez centavos no ano seguinte, indo para R$ 11,52.

No que se refere à venda de livros, verificou-se um incremento consistente, que vai de 7,15% em obras gerais (de 59,3 milhões de unidades para 63,5 milhões) a 15,7% em religiosos (de 43,4 milhões para 50,2 milhões), passando por 8,94% na sigla CTP, que junta títulos científicos, técnicos e profissionais (de 22,2 milhões para 24,1 milhões).

Ao se somar as duas grandezas, mercado de um lado, governo de outro, chega-se ao perfil definitivo do setor. Que cumpriu o seu papel.

O faturamento, em 2008, somou R$ 3.305.957.488, contra R$ 3.013.413.692 do ano anterior, configurando um aumento de 9,71%. É exatamente o índice que, enxugado pela deflação do IPCA educação, papelaria e leitura, se reduz a 4,92%, alguns pontos percentuais a menos que o PIB brasileiro.

Aproximando a lente de cada sub-setor, a performance melhor foi a de ‘Religiosos’. Arrecadou R$ 323,4 milhões no ano passado, contra anteriores R$ 273 milhões, aumento de 18,42%.

O ‘CTP’ (científicos, técnicos e profissionais) aparecem em seguida, com 13,65%, saltando de R$ 415,6 milhões para R$ 472,4 milhões.



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